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Usados na conservação de alimentos, aditivos só fazem mal à saúde

Nossos antepassados aprenderam que, se usassem o sal, peixe e carne durariam mais. Aprenderam também que, adicionando algumas ervas, poderiam deixar o sabor da comida mais gostoso, e o mesmo com o açúcar, para preservar as frutas, e o vinagre, para garantir que os vegetais tivessem vida mais longa. Passados milhares de anos, novos aditivos foram surgindo, cada um com uma função específica. Entre os aditivos inserem-se desde produtos naturais, como aqueles vindos da agricultura orgânica, aos produtos industrializados, químicos. E aqui começa uma nova discussão.

Considerados por muitos como grandes vilões, os produtos industrializados, garantem estudiosos, são seguros se usados na quantidade certa, aprovada pelo Ministério da Saúde. O problema está, é claro, no excesso, quando o ideal é uma alimentação equilibrada. Quem extrapola corre o risco de trazer para perto de si problemas de saúde e doenças como obesidade, diabetes, hipertensão, aumento de colesterol e/ou triglicérides, alergias alimentares, entre outras. Uma coisa é certa: os industrializados vieram para ficar.

A indústria de alimentos no Brasil cresce a passos largos. Segundo o Instituto Euromonitor, o País registrou um crescimento de aproximadamente 82% entre 2004 e 2009. Mas antes de escolher de que lado do campo de batalha você vai se posicionar, se dos naturais ou industrializados, saiba que tanto um quanto outro já venceram várias batalhas. O que é preciso é usar o bom senso. Certamente, você já viu ou leu nomes como gordura trans, vegetal ou hidrogenada, espessantes, acidulantes, flavorizantes, edulcorantes, adoçantes, conservantes, ácido cítrico… São eles que dão sabor, cor e aspecto natural ao alimento que comemos.

O nutrólogo Enio Cardillo Vieira, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e membro da Academia Mineira de Medicina, diz que a nutrição é um dos alvos principais para estabelecimento de tabus, mitos e crendices. “A industrialização do alimento é uma condição da própria civilização, porque se não tivermos meios de conservá-los, teremos de reduzir drasticamente a população mundial para conseguir alimentá-la”, explica. Só que a utilização crescente de aditivos químicos sintéticos preocupa órgãos ligados à saúde pública desde 1957, a Organização Mundial da Saúde (OMS) promoveu um encontro de especialistas para discutir os riscos da utilização de aditivos relacionados à lesão cerebral: alguns tipos de câncer, alergias, intoxicações diversas e hiperatividade.

Para a nutricionista e personal diet Julyanna Célico, a economia e a facilidade no consumo dos fast food e industrializados são um atrativo para as pessoas. “Porém, para conseguir a praticidade e durabilidade desses produtos, os fabricantes se utilizam de vários aditivos químicos que, na maioria das vezes, não fazem bem à saúde de quem os consome”, explica. O perigo, segundo ela, está na quantidade e freqüência do consumo desses alimentos. O importante é diversificar ao máximo e equilibrar esse tipo de dieta com produtos saudáveis.

É bom ficarmos mais atentos na hora de ler os rótulos das embalagens que devem trazer, por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), todas as informações referentes ao conteúdo dos alimentos, como quantidade de colesterol, cálcio e ferro, e se o produto apresenta quantidade igual ou superior a 5% da ingestão diária recomendada.

Fonte:
:: Associação Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos, (19) 3241-0527

:: Enio Cardillo Vieira, médico nutrólogo, vice-presidente da Academia Mineira de Medicina, (31) 3296-9889
:: Embrapa Meio Norte, (86) 3089-9189
:: Fernanda Vissoto, engenheira de alimentos, (19) 3743-1968
:: Paulo Eduardo Rocha Tavares, engenheiro de alimentos, (19) 3743-1959

Especialistas saem em defesa

Se por um lado alguns profissionais atacam os alimentos industrializados, por outro existem aqueles que defendem os aditivos, garantindo que eles são coadjuvantes necessários à melhora da qualidade dos produtos. Nem tudo é completamente bom ou mal, dizem. O que vai garantir sua segurança é a quantidade e a forma correta de utilização. “A diferença entre um remédio e um veneno está só na dosagem”, já dizia Paracelso, médico e físico do século 16. Outro argumento de quem defende os industrializados é que a indústria alimentícia está entre as mais vigiadas do Brasil. Os aditivos usados em alimentos processados são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com base em organismos internacionais, que aprova ou reprova as dosagens.

A engenheira de alimentos Jane Gonçalves Menegaldo, presidente da Sociedade Brasileira de Ciências e Tecnologia de Alimentos (SBCTA), pesquisadora científica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Meio Norte), afirma que os aditivos no Brasil tiveram grande avanço nos últimos 45 ano, o que coincide com a implantação da própria tecnologia de alimentos. Ela lembra que o controle é tão rigoroso que até mesmo os alimentos produzidos no exterior e são trazidos para o Brasil devem fazer constar uma rotulagem nutricional básica, de forma que o consumidor entenda, assim como acontece com os produzidos dentro do País.

O engenheiro de alimentos Paulo Eduardo da Rocha Tavares, pesquisador científico do Departamento de Frutas e Hortaliças do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, lembra que aditivos são necessários para conservação dos produtos e para evitar até mesmo problemas de contaminação que possam levar uma pessoa à morte. A engenheira de alimentos Fernanda Vissoto, também pesquisadora do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do Chocolate do Ital, lembra que existem aditivos que devem ser usados com segurança até atingir o efeito necessário. “Mesmo quando há limitação de uso, o que a legislação exige já prevê uma margem grande de segurança.”

ADITIVO ALIMENTAR

O que é

É qualquer ingrediente adicionado intencionalmente aos alimentos sem propósito de nutrir, com o objetivo de modificar as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais, durante fabricação, processamento, preparação, tratamento, embalagem, acondicionamento, armazenagem, transporte ou manipulação de um alimento

Funções dos aditivos

O Ministério da Saúde classifica pelo menos 13 tipos de aditivos. Há desde acidulantes (H), que intensificam o gosto ou sabor ácido nos alimentos processados; aromatizantes e flavorizantes (F), que conferem aroma ou sabor aos alimentos; corantes, que intensificam a cor dos alimentos; conservantes, que evitam processos de fermentação, acidificação e evidência de putrefação nos alimentose, e edulcorantes, que conferem sabor doce aos alimentos, entre outros

Fonte: Portaria nº 540-SVS/MS, de 27 de outubro de 1997

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