Artigos

alimentação

Esta categoria contém 10 posts

Chia (Salvia hispanica)

A planta medicinal Chia (Salvia hispanica) é também conhecida por Chia-Dourada ou Golden Chia (Salvia columbariae). A Chia é rica em ácidos graxos ômega-3 e pertence a mesma família Lamiaceae.

Usos Tradicionais: constipação, diabetes, fadiga, febre, feridas, hipertensão, intestino ressecado, Mal de Alzheimer.
Propriedades Medicinais: antioxidante, demulcente, diaforético, emoliente, expectorante, laxante, nutritivo.

Tanto as sementes da Chia, quanto o restante da planta, são ricas em ômega-3, um ácido graxo poli-insaturado que oferece excelentes benefícios para a função cognitiva e ao cérebro, redução do risco de doenças vasculares e certostipos de câncer. A Chia é também rica em vitaminas, fibras alimentares e também possui propriedades antioxidantes. Na medicina alternativa, as qualidades demulcentes e refrescantes das sementes de Chia as tornam excelente para melhorar a constipação e a febre. É usada cataplasma para o tratamento de feridas. Devido a sua composição, a Chia afeta positivamente em alguns tratamentos de depressão e transtornos do humor. Também pode aliviar distúrbios cerebrais, como o Mal de Alzheimer e Transtorno de Déficit de Atenção (TDAH). As sementes também podem ser úteis para os diabéticos, podendo ajudar na estabilização do açúcar no sangue e prevenção da hipertensão.

Em um estudo de 2007 no Diabetes Care, pesquisadores descobriram que pacientes com diabetes mellitus tipo 2, que consumiram 37 g de chia (cerca de 6 colheres de sopa) por dia, tiveram sua taxa de proteína C-reativa (um marcador de inflamação) diminuirem em 32%, além da diminuição da pressão arterial sistólica e diastólica, e uma melhoria na taxa de açúcar no sangue.

A semente da Chia é composta de aproximadamente um terço de proteínas, um terço de óleo e um terço de fibra solúvel dietética. O óleo na semente de Salvia hispanica contém concentração de dois terços de ácido graxo ômega-3. A semente também possui em sua composição, antioxidantes e aminoácidos, além de não conter glúten e possuir pouco sódio. É uma das fontes vegetais com maiores concentrações de ômega-3, ferro e cálcio.

Existem variações da semente de Chia, que podem ser pretas, brancas ou misturadas. No entanto, todas pertencem à mesma variedade botânica e essas diferenças ocorrem dependendo da área cultivada, o que não chega a alterar as propriedades da planta.

O Uso da Chia na Culinária

A planta inteira pode ser consumida em saladas, sopas ou cereais. As sementes da Salva hispanica podem ser comidas cruas ou adicionais a farinhas para bolos. A Chia natural fresca é uma bebida saudável quando feita por imersão das sementes em água ou suco de frutas. Pode ser também utilizada como especiaria na cozinha, para ser borrifada em pães, bolos e biscoitos.

História e Curiosidades

A Chia é uma erva nativa do Sudoeste Americano e da América Central, encontrada principalmente no México. Foi muito valorizada como fonte de alimento primária pelos Astecas. Dizia-se que uma colher de chá de semente de Chia(Salvia hispanica) era suficiente para sustentar um índio durante um longo dia de marcha. Há controvérsias sobre a origem do nome Chia, sendo que a versão mais aceita é que a palavra é derivada de chiabaan, que significa “fortalecimento”.

Outra pesquisa diz que o nome da semente, na verdade oriunda da palavra asteca “chian”, que
significa “oleosa”, sendo que a planta já foi utilizada como moeda de pagamento no império Asteca.

texto extraído do portal plantamed.
Anúncios

O lado escuro da comida

A indústria da comida nunca produziu tanta tranqueira. Seu prato polui mais que o seu carro. E estamos sendo envenenados por pesticidas. Ou não? Descubra o que é verdade e o que é mentira nas intrigas que rondam os alimentos

por Claudia Carmello, Barbara Axt, Eduardo Sklarz e Alexandre Versignassi – revista superinteressante – dez/2010

Frango. Água. Maisena modificada. Soda para cozimento. Sal. Glicose. Ácido cítrico. Caldo de galinha. Fosfato de sódio. Antiespumante dimetilpolissiloxano. Óleo hidrogenado de soja com antioxidante TBHQ. Isso agregado a mais 26 ingredientes é o que conhecemos pelo nome de nugget. A receita é produto de um sistema que faz de lasanha congelada a tomates mais ou menos do mesmo jeito que se fabricam canetas, ventiladores ou motos. É a agropecuária industrial. Ela começa nos combustíveis fósseis. Petróleo carvão ou, mais comum hoje, gás natural são a matéria-prima dos fertilizantes. E os fertilizantes são a matéria-prima de tudo o que você come hoje, seja alface, seja dois hambúrgueres, alface, queijo e molho especial – no pão com gergelim.

Verdade – Fertilizante mata
Mata peixes, não pessoas. Mas mata. Resíduos de fertilizante vão parar em rios, e daí para o mar. Lá eles fertilizam algas e elas crescem. Mas isso não é bom: quando elas morrem, sua decomposição rouba oxigênio da água. E os peixes sufocam. São as chamadas zonas mortas. Existem quase 400 delas nos mares.

Sem eles para anabolizar as plantações, não haveria comida para todo mundo. O problema é que, com eles, podemos ficar sem mundo. “Na porteira da fazenda, ainda antes do uso, um saco de 100 quilos de fertilizante químico já emitiu 4 vezes esse peso em CO2 para ser fabricado. Depois que aplicam no solo, pelo menos 1 quilo daquele nitrogênio (elemento principal do fertilizante) é liberado para o ar em forma de óxido nitroso, um gás quase 300 vezes pior para o aquecimento global do que o CO2”, diz o agrônomo Segundo Urquiaga, da Embrapa. Nessa toada, a agropecuária consegue emitir sozinha 33% dos gases-estufa do mundo, mais do que todos os carros, trens, navios e aviões juntos, que somam 14%.

Além disso, os fertilizantes deixam resíduos debaixo da terra que chegam aos lençóis freáticos e acabam no mar. Mas isso é pouco comparado ao que a comida moderna pode fazer ao seu corpo. Voltemos ao nugget.

VOCÊ É FEITO DE MILHO E SOJA
Os empanados de frango são um dos ícones da indústria de alimentos, baseada, como qualquer outra, em mecanização, uniformização, produtividade. Essas exigências levam a um fato curioso: há quase 40 ingredientes diferentes em um nugget, mas 56% dele é milho.

A maisena é farinha de amido de milho – o ácido cítrico, a dextrose, a lecitina, tudo é feito com moléculas desse grão. Ou com grãos de soja, dependendo do que estiver mais em conta no mercado de commodities agrícolas (pensando bem, até a galinha é feita de milho e soja – é isso que ela come de ração. Metade da área plantada no Brasil é dominada pela soja, que aparece em 70% dos alimentos processados. E um terço das plantações americanas são lavouras de milho Isso acontece porque soja e milho produzem mais calorias que a maioria das plantas; são resistentes ao transporte e a anos de estocagem, entre outras vantagens competitivas.

Mas qual é o problema de chegar a essa variedade de comida com apenas dois grãos? Os bois podem dar uma primeira resposta.

No mundo desenvolvido, praticamente toda a carne sai das fazendas de confinamento – galpões onde os bois passam a vida praticamente empilhados uns nos outros, só engordando. Nesses galpões, a comida do boi não é capim, mas ração à base de milho e soja. O inconveniente é que ele não come grãos. Industrialmente falando, um boi é uma máquina que transforma celulose de capim (algo que o nosso organismo não digere) em proteína comestível – a carne dele. Mas capim é bem menos calórico que milho e soja. Para ele crescer rápido e ir logo para o corte, tem que ser ração mesmo. Só que o metabolismo do bicho pena para processar tanta comida indigesta. A fermentação dos grãos no sistema digestivo dele pode causar um inchaço do rúmen (o estômago do boi) que pressiona os pulmões e pode matar o animal. Para combater isso, os criadores enchem os bois de antibiótico: 70% dos antimicrobiais usados nos EUA são misturados às rações de animais. O problema é que isso cria superbactérias resistentes a antibióticos. É Darwin em ação: os antibióticos nem sempre matam todas as bactérias. Às vezes sobram algumas que, por mutação genética, nasceram imunes ao remédio. Sem a concorrência de outras bactérias, elas se reproduzem à vontade. Nasce uma cepa de micro-organismo mais resistente a qualquer antibiótico. Ela podem ser letal. Ainda mais se for parar na prateleira do supermercado.

Foi o que aconteceu com uma variedade agressiva de Escherichia coli. Em 2001, o garoto americano Kevin Kowalcyk, de 2 anos de idade, comeu um hambúrguer contaminado por essa bactéria e morreu 12 dias depois. O caso produziu algo inusitado: um recall de hambúrguer.

No Brasil isso não é um problema. Só 6% do nosso abate vem de confinamentos, contra 99% nos EUA. Aqui os bois ficam soltos. Bom para eles, pior para as bactérias. Mas pior também para as florestas. Nossos pastos são formados à custa de desmatamento da Amazônia e do cerrado. E isso leva o Brasil ao posto de 5º maior emissor de CO2 do mundo. Quase 52% dos nossos gases-estufa vêm do desmatamento. Para frear isso de forma realista (porque parar de criar bois e de exportar carne não tem nada de realista), a solução é o confinamento. Só que essa modalidade de criação também não é a panaceia para o ambiente. Os galpões de gado causam tantos impactos quanto uma cidade grande: lixo, esgoto, rios poluídos… Até mais, na verdade. Só os animais confinados que existem hoje nos EUA produzem 130 vezes mais dejetos do que todos os americanos juntos.

Todo esse cocô vai para grandes lagos de esterco, que servem de parque aquático para bactérias: elas podem passar desses lagos para o solo de uma lavoura. Podem e conseguem. Só de recalls de vegetais contaminados por E. coli já foram 20 na última década nos EUA. Em 2009, um surto de salmonela matou 8 pessoas e adoeceu 600 por lá. Grave. Mas não deixam de ser casos isolados. O maior problema da comida hoje é outro: o fator Roberto Carlos.

IMORAL E ENGORDA
O Rei estava certo quando disse que tudo o que ele gosta é imoral, ilegal ou engorda. Comida gostosa, mas gostosa mesmo, viciante, só é boa porque é calórica – os aspargos que nos perdoem, mas gordura e açúcar são fundamentais. Não para a saúde, mas para o cérebro. Ele gosta mesmo é de porcaria. Nosso cérebro nos recompensa com doses de dopamina cada vez que comemos algo bem calórico, energético. É que no passado isso era questão de sobrevivência – havia pouca comida disponível, então quanto mais calórica ela fosse, melhor. A massa cinzenta dá essa mesma recompensa dopamínica depois do sexo ou de drogas pesadas. Por isso mesmo basta experimentar qualquer uma dessas coisas uma única vez para ter vontade de repetir. Com comidas energéticas, recheadas de carboidratos ou gorduras, não é diferente, você sabe. É impossível comer um só.

Mito – Frango com hormônio
Uma das lendas mais persistentes é a de que o frango é entupido de hormônios. E que esse hormônio pode ser letal para nós. Não. Não rola hormônio. “O segredo para o frango crescer tão rápido está na genética”, diz o engenheiro agrônomo Gerson Neudí Cheuermann, da Embrapa. A fórmula da ração do frango não é segredo: além de milho, soja e minerais, entram aminoácidos produzidos em laboratório (metionina e lisina), que servem de fato para bombar o galináceo, mas não fazem mal para quem come.

Nota: Vou deixar a informação acima para manter a integridade da reportagem, mas neste caso eu descordo – nota minha – kamala|Camila

E a indústria dos alimentos se formou justamente em torno das comidas que mais liberam dopamina. Isso começou no final do século 19, com o início da produção em massa de açúcar e farinha de trigo refinada. Refinar uma planta significa estirpá-la de suas fibras, proteínas, minerais e deixar só o que interessa (pelo menos do ponto de vista do cérebro): carboidrato puro, energia hiperconcentrada. Depois vieram conservantes mais potentes (como o antiespumante e o antioxidante lá do nugget) e o processamento artificial, com máquinas que transformam carcaças de bichos e um monte de subprodutos de milho e de soja em coisas bonitas e de sabor viciante. Começava a era da comida industrializada. A nossa era.

E a produção de alimentos nunca mais seria a mesma. O cérebro do consumidor guia a indústria dos alimentos. Esse cérebro prefere comida turbinada por açúcar e gordura, certo? Então a seleção natural age de novo, mas dessa vez no mercado: só sobrevive quem produz comida mais gostosa. E a mais gostosa é a gorda (olha o Robertão aí de novo!). Natural, então, que o mercado de comida processada acabasse dominado por bombas calóricas. Nosso amigo nugget, por exemplo, recebe doses extras de gordura (óleo hidrogenado de soja) e também de açúcar (a glicose). Mais do que alimentar, a função dele é dar prazer.

Mas é um prazer que pode custar caro. Um “suco natural” industrializado, por exemplo, pode ter até duas colheres de açúcar para cada 200 mililitros. Nosso corpo não é adaptado para suportar doses cavalares como essa o tempo todo. A produção de insulina, por exemplo, pode sobrecarregar e dar pau – e sem esse hormônio, que gerencia o processamento de acúcar no organismo, você se torna diabético.

Nos EUA, 1 em cada 10 adultos tem diabetes – duas vezes mais do que em 1995. E a perspectiva é que essa proporção triplique nas próximas décadas, agora que 1,6 milhão de novos casos são diagnosticados por ano. Para completar, 70% da população é considerada acima do peso. E nós aqui no Brasil estamos indo por esse caminho. Quanto mais a economia cresce, maior fica a nossa cintura. No meio dos anos 70, quando o IBGE mediu pela primeira vez o peso da população, 24% dos brasileiros estavam acima do peso. Hoje são 50%.

O aumento de peso pode ser o resultado mais visível de uma dieta inadequada. Mas quem está na parcela sem pneuzinhos da população também corre riscos. Principalmente por causa de outro ingrediente-chefe da comida industrializada: o sal. “A maior parte do sal que a gente consome não está nos saleiros, mas nos alimentos processados” diz Michael Klag, diretor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade John Hopkins, nos EUA. O sal é adicionado para ajudar a preservar o produto e, principalmente, reforçar o sabor. E ele acaba onde você menos espera. Está nos cereais de café da manhã e até nos achocolatados – para deixar o chocolate menos enjoativo.

A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de, no máximo, 6 gramas de sal por dia para evitar pressão alta – e as doenças que ela causa. Os brasileiros comem o dobro disso. De acordo com a Ação Mundial pelo Sal e pela Saúde, uma organização que reúne membros em 81 países para tentar diminuir o consumo global de sal, se a população mundial comesse apenas os tais 6 gramas de sal por dia, haveria 24% menos casos de ataques cardíacos pelo mundo e 18% menos derrames.

Os hábitos alimentares de hoje podem estar contribuindo também para um aumento em alergias alimentares e doenças intestinais. Para você ter uma ideia, o número de pessoas internadas em hospitais por causa de alergias nos EUA quadruplicou entre 2000 e 2006 (de 2 600 para 9 500 pessoas por ano). O maior suspeito aí é a falta de fibras da comida industrializada.

Uma pesquisa liderada por Paolo Lionetti, da Universidade de Florença, analisou a flora intestinal de crianças italianas e comparou com a de garotos de Burkina Fasso, na África, que têm uma dieta rica em fibras e nunca viram comida processada. Então descobriu que as crianças africanas tinham uma flora intestinal mais variada, capaz de protegê-las de uma série de doenças. “Acredito que a dieta dos países ocidentais tem um papel importante no aumento das alergias e infecções intestinais”, diz Paolo.

Os nuggets, pizzas congeladas e cia. não são o único problema. A comida reconhecidamente saudável também tem seus pontos fracos. Dados dos governos americano e inglês mostram quedas nas quantidades de ferro, vitamina C, riboflavina, cálcio, zinco, selênio e outros nutrientes em dezenas de colheitas monitoradas desde os anos 50. Hoje, você tem que comer 3 maçãs para ingerir a mesma quantidade de ferro, por exemplo, que uma maçã fornecia. São várias as razões que poderiam justificar esse fenômeno. Parte da explicação pode vir dos critérios que usamos no melhoramento genético, selecionando variedades de milho, soja e outras plantas segundo a produtividade, não a qualidade nutricional. Pior: nossas plantas criadas à base de fertilizantes, como crescem mais rápido, têm raízes menores e menos tempo para acumular nutrientes além daqueles que vêm no próprio fertilizante. Mais: poupadas de lutar contra insetos pelo uso de pesticidas, estariam produzindo menos polifenóis – substâncias que usam como mecanismo de defesa e que nos beneficiam por suas ações anti-inflamatórias e antialérgicas.

VENENO NA FEIRA
Tão fundamentais para a agricultura moderna quanto os fertilizantes são os pesticidas. Ainda mais com as monoculturas sem fim de hoje. Imagine o que acontece quando um inseto que tem na raiz da soja seu prato preferido topa com hectares e mais hectares onde só existe essa planta? Ele não arreda mais o pé dali, se reproduz vertiginosamente e traça tudo o que vê pela frente: eis uma praga agrícola. Elas não são novidade. Mas claro que, com a demanda por alimentos que existe hoje, seja ou não comida industrializada, não dá para abrir mão deles.

Verdade – Dá para se proteger dos agrotóxicos veja como:

1. Prefira produtos locais
Frutas importadas, por exemplo, terão mais químicos para suportar a viagem e chegar em bom estado ao Brasil.

2. Lave as frutas com esponja
Só água pode não ser o bastante para tirar os resíduos de pesticida.

3. Compre produtos da época
As frutas que não são da estação recebem mais agrotóxicos para durar além da conta.

4. Evite a beleza exagerada
Desconfie da fruta que parece obra de arte. Ela pode ter recebido mais agrotóxicos.
No Brasil, menos ainda. O surgimento de novas pragas, como a ferrugem de soja (um fungo nocivo), transformou o país no maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Superamos os EUA nesse quesito em 2008, quando o mercado de defensivos agrícolas movimentou mais de US$ 7 bilhões no país. A façanha tem consequências. Em junho passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou o relatório anual sobre a presença de resíduos de agrotóxicos nas frutas, verduras, legumes e grãos que o brasileiro consome. Das 3 130 amostras de 20 culturas de alimentos estudadas pela agência em 2009, 29% apresentaram alguma irregularidade. Mas não é motivo para pânico. “O fato de um alimento apresentar resíduos de pesticida além do limite estabelecido não indica necessariamente risco para a saúde”, diz a toxicologista Eloisa Caldas, da Universidade de Brasília. O ponto, segundo ela, é evitar uma dieta monótona. Quanto mais variada sua alimentação, menos chance você tem de comer o mesmo pesticida. E isso diminui o risco de intoxicação.

Isso parece até uma piada!! temos que variar a dieta agora pra evitar a intoxicação pelo mesmo pesticida e não mais para ter acesso a variados nutrientes… Onde vamos parar! – Nota minha, também!!!

Mais seguro ainda é comprar alimentos orgânicos. Eles não recebem veneno em nenhum momento, desde o plantio até a gôndola do supermercado. Nem veneno nem fertilizante químico. Então são mais saudáveis para o ambiente. E a quantidade de nutrientes por centímetro cúbico é maior. O problema é que a produção da lavoura orgânica é, em média, 30% menor que a convencional – e os vegetais que saem dela acabam 30% mais caros.

Estudos mostram que, mesmo assim, daria para alimentar o mundo só com orgânicos. Mas só se o consumo de carne diminuir. O que uma coisa tem a ver com a outra? É que boa parte do que plantamos é para alimentar animais de criação. Uma peça de picanha, por exemplo, exige 75 quilos de vegetais para ser produzida. Só que o mundo está cada vez mais carnívoro – a China, depois de ter virado a 2ª maior economia do mundo, passou a comer 25% de toda a carne do planeta. Hoje temos 20 bilhões de animais de criação, e a perspectiva da ONU é que esse número vá dobrar até 2050.

Até existe um tipo de carne que não depende nada das plantações: os peixes selvagens. Mas eles não são a alternativa. Primeiro, porque os mais nobres estão acabando. Algumas espécies de atum e de bacalhau não devem escapar da extinção. Segundo, porque existe o perigo da contaminação por mercúrio, pelo menos para quem come certos peixes com frequência.

Cuidado: até os peixes mais saudáveis podem estar contaminados.

Nível de mercúrio
Quanto mais alta a concentração, maior o perigo para quem come com frequência*

Moderado
Atum em lata
Bacalhau

Alto
Atum DE SUSHI
Anchova

Muito alto
Cação
Peixe-espada

Funciona assim: embora o metal possa ser encontrado em todos os ambientes, é no meio aquático que mora o perigo. Graças à ação de bactérias, sobretudo em zonas alagáveis, o mercúrio é transformado em sua forma orgânica e mais perigosa: o metilmercúrio. Nessa versão, ele penetra nas algas. As plantas aquáticas têm baixo teor de mercúrio, mas os peixes herbívoros (que se alimentam dessas plantas) têm um pouco mais. E os predadores (que comem os herbívoros) acabam com um índice bem maior. Quanto mais perto do topo da cadeia alimentar, mais contaminado tende a ser o peixe. Não significa que todo peixe grande esteja contaminado. Se ele vive numa região livre de mercúrio, o que é comum, não tem problema. Mas claro: quem vê cara não vê contaminação. Você só tem como saber o estado dos peixes que comeu se acabar intoxicado – os sintomas são tremores, vertigem, perda de memória, problemas digestivos e renais, entre outros. Não, não precisa parar de comer esses peixes, só ter alguma moderação (veja no quadro). Mas o risco não deve diminuir – o mercúrio é um resíduo das termelétricas. E a maior parte do mundo ainda é movida a carvão…

Peixes contaminados, overdose de gordura e açúcar, fertilizantes que dependem de combustíveis fósseis e destroem ecossistemas… Estamos no fim da linha, então? Sim.

Mas já estivemos antes. Ontem mesmo era 1960, o mundo tinha 3 bilhões de habitantes e uma certeza: estávamos à beira de um colapso. Mais um pouco e não teria comida para todo mundo. Mas não. Chegamos a 6,5 bilhões de pessoas graças justamente à globalização dos fertilizantes e da comida industrializada – a produção em massa barateou os alimentos. Esse boom alimentício ficou conhecido como Revolução Verde. Agora, precisamos de mais revoluções. Uma, a da conscientização sobre os perigos do fast food e da comida processada, já começou. E a ciência tem feito seu papel também, pesquisando alternativas que vão de plantas geneticamente modificadas que dispensam fertilizantes e pesticidas até carne de laboratório – um meio de entregar proteínas sem o intermédio de animais. Seria uma espécie de segunda Revolução Industrial da comida. Não sabemos como nem quando ela vai acontecer. Mas há uma certeza: não podemos ser bestas de esperar pelo colapso.

Mito – Salmão com corante
O salmão é um peixe branco por natureza. O rosa vem da astaxantina, um pigmento que existe em algas microscópicas. Primeiro o camarão come essas algas, depois o salmão come o camarão e fica rosado. Só que os peixes criados em tanques não comem camarão. Deveriam ficar brancos a vida toda. Mas não. Eles são rosa também (menos, mas são). Corante? Não exatamente: o que fazem é colocar astaxantina na ração dos peixes – ela pode ser sintética ou vir daquelas microalgas mesmo.

• Cada 100 quilos de fertilizante químico emite 540 quilos de Co2 para ser fabricado.

• 1/3 das emissões de gases-estufa vem da agropecuária.

• Em 1940, gastávamos 0,5 caloria de combustível fóssil para produzir 1 caloria de comida, hoje gastamos 20 vezes mais.

• Hoje, A área desmatada na Amazônia para criar GADO equivale à de 100 cidades de São Paulo.

• 2/3 de todos os antibióticos fabricados nos EUA vão para a alimentação do gado. Isso cria superbactérias.

• 80% do pimentão vendido no Brasil tem mais agrotóxico que o permitido.

• Depois vêm: 56,4% – UVA / 54,8% – PEPINO / 50,8% – MORANGO

• As frutas anabolizadas por fertilizantes têm menos nutrientes como ferro, vitamina C, cálcio e zinco que as orgânicas.

* Mesmo o consumo diário pode não trazer riscos. Mas, se alguns desses peixes formam a base da sua alimentação, vale conversar com um médico sobre os perigos. ** Os mais usados nos restaurantes japoneses são o atum-branco e atum-amarelo. O de lata costuma ser da espécie skipjack, menor (e menos suscetível ao mercúrio).

Para saber mais

O Dilema do Onívoro
Michael Pollan, Intrínseca, 2007.

Uma História Comestível da Humanidade
Tom Standage, Zahar, 2010.

Usados na conservação de alimentos, aditivos só fazem mal à saúde

Nossos antepassados aprenderam que, se usassem o sal, peixe e carne durariam mais. Aprenderam também que, adicionando algumas ervas, poderiam deixar o sabor da comida mais gostoso, e o mesmo com o açúcar, para preservar as frutas, e o vinagre, para garantir que os vegetais tivessem vida mais longa. Passados milhares de anos, novos aditivos foram surgindo, cada um com uma função específica. Entre os aditivos inserem-se desde produtos naturais, como aqueles vindos da agricultura orgânica, aos produtos industrializados, químicos. E aqui começa uma nova discussão.

Considerados por muitos como grandes vilões, os produtos industrializados, garantem estudiosos, são seguros se usados na quantidade certa, aprovada pelo Ministério da Saúde. O problema está, é claro, no excesso, quando o ideal é uma alimentação equilibrada. Quem extrapola corre o risco de trazer para perto de si problemas de saúde e doenças como obesidade, diabetes, hipertensão, aumento de colesterol e/ou triglicérides, alergias alimentares, entre outras. Uma coisa é certa: os industrializados vieram para ficar.

A indústria de alimentos no Brasil cresce a passos largos. Segundo o Instituto Euromonitor, o País registrou um crescimento de aproximadamente 82% entre 2004 e 2009. Mas antes de escolher de que lado do campo de batalha você vai se posicionar, se dos naturais ou industrializados, saiba que tanto um quanto outro já venceram várias batalhas. O que é preciso é usar o bom senso. Certamente, você já viu ou leu nomes como gordura trans, vegetal ou hidrogenada, espessantes, acidulantes, flavorizantes, edulcorantes, adoçantes, conservantes, ácido cítrico… São eles que dão sabor, cor e aspecto natural ao alimento que comemos.

O nutrólogo Enio Cardillo Vieira, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e membro da Academia Mineira de Medicina, diz que a nutrição é um dos alvos principais para estabelecimento de tabus, mitos e crendices. “A industrialização do alimento é uma condição da própria civilização, porque se não tivermos meios de conservá-los, teremos de reduzir drasticamente a população mundial para conseguir alimentá-la”, explica. Só que a utilização crescente de aditivos químicos sintéticos preocupa órgãos ligados à saúde pública desde 1957, a Organização Mundial da Saúde (OMS) promoveu um encontro de especialistas para discutir os riscos da utilização de aditivos relacionados à lesão cerebral: alguns tipos de câncer, alergias, intoxicações diversas e hiperatividade.

Para a nutricionista e personal diet Julyanna Célico, a economia e a facilidade no consumo dos fast food e industrializados são um atrativo para as pessoas. “Porém, para conseguir a praticidade e durabilidade desses produtos, os fabricantes se utilizam de vários aditivos químicos que, na maioria das vezes, não fazem bem à saúde de quem os consome”, explica. O perigo, segundo ela, está na quantidade e freqüência do consumo desses alimentos. O importante é diversificar ao máximo e equilibrar esse tipo de dieta com produtos saudáveis.

É bom ficarmos mais atentos na hora de ler os rótulos das embalagens que devem trazer, por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), todas as informações referentes ao conteúdo dos alimentos, como quantidade de colesterol, cálcio e ferro, e se o produto apresenta quantidade igual ou superior a 5% da ingestão diária recomendada.

Fonte:
:: Associação Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos, (19) 3241-0527

:: Enio Cardillo Vieira, médico nutrólogo, vice-presidente da Academia Mineira de Medicina, (31) 3296-9889
:: Embrapa Meio Norte, (86) 3089-9189
:: Fernanda Vissoto, engenheira de alimentos, (19) 3743-1968
:: Paulo Eduardo Rocha Tavares, engenheiro de alimentos, (19) 3743-1959

Especialistas saem em defesa

Se por um lado alguns profissionais atacam os alimentos industrializados, por outro existem aqueles que defendem os aditivos, garantindo que eles são coadjuvantes necessários à melhora da qualidade dos produtos. Nem tudo é completamente bom ou mal, dizem. O que vai garantir sua segurança é a quantidade e a forma correta de utilização. “A diferença entre um remédio e um veneno está só na dosagem”, já dizia Paracelso, médico e físico do século 16. Outro argumento de quem defende os industrializados é que a indústria alimentícia está entre as mais vigiadas do Brasil. Os aditivos usados em alimentos processados são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com base em organismos internacionais, que aprova ou reprova as dosagens.

A engenheira de alimentos Jane Gonçalves Menegaldo, presidente da Sociedade Brasileira de Ciências e Tecnologia de Alimentos (SBCTA), pesquisadora científica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Meio Norte), afirma que os aditivos no Brasil tiveram grande avanço nos últimos 45 ano, o que coincide com a implantação da própria tecnologia de alimentos. Ela lembra que o controle é tão rigoroso que até mesmo os alimentos produzidos no exterior e são trazidos para o Brasil devem fazer constar uma rotulagem nutricional básica, de forma que o consumidor entenda, assim como acontece com os produzidos dentro do País.

O engenheiro de alimentos Paulo Eduardo da Rocha Tavares, pesquisador científico do Departamento de Frutas e Hortaliças do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, lembra que aditivos são necessários para conservação dos produtos e para evitar até mesmo problemas de contaminação que possam levar uma pessoa à morte. A engenheira de alimentos Fernanda Vissoto, também pesquisadora do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do Chocolate do Ital, lembra que existem aditivos que devem ser usados com segurança até atingir o efeito necessário. “Mesmo quando há limitação de uso, o que a legislação exige já prevê uma margem grande de segurança.”

ADITIVO ALIMENTAR

O que é

É qualquer ingrediente adicionado intencionalmente aos alimentos sem propósito de nutrir, com o objetivo de modificar as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais, durante fabricação, processamento, preparação, tratamento, embalagem, acondicionamento, armazenagem, transporte ou manipulação de um alimento

Funções dos aditivos

O Ministério da Saúde classifica pelo menos 13 tipos de aditivos. Há desde acidulantes (H), que intensificam o gosto ou sabor ácido nos alimentos processados; aromatizantes e flavorizantes (F), que conferem aroma ou sabor aos alimentos; corantes, que intensificam a cor dos alimentos; conservantes, que evitam processos de fermentação, acidificação e evidência de putrefação nos alimentose, e edulcorantes, que conferem sabor doce aos alimentos, entre outros

Fonte: Portaria nº 540-SVS/MS, de 27 de outubro de 1997

%d blogueiros gostam disto: